domingo, 17 de fevereiro de 2013

Menina Benigna!!!



Moradores de Santana do Cariri aguardam beatificação

17.02.2013

Moradores de Santana do Cariri estão contentes com a possibilidade de a órfã virar santa reconhecida

Santana do Cariri. Era um fim de tarde, do dia 24 de outubro de 1941. Benigna Cardoso da Silva perdia a vida ao defender sua castidade. Tornou-se a mártir da pureza na pequena vila, hoje conhecida como distrito de Inhumas, a 2 quilômetros da sede de Santana do Cariri. Aos 13 anos, a menina órfã teve o destino selado pelos golpes do facão do seu algoz, Raul Alves Ribeiro. Hoje, mais de 71 anos depois, a menina Benigna, como é chamada pela maioria dos moradores de Santana, tornou-se "Serva de Deus", uma designação da Igreja Católica. A recente autorização para abertura do processo de beatificação da adolescente martirizada é motivo de comemoração na cidade, onde a maioria das pessoas, pelas centenas de graças alcançadas e milagres, a consideram uma santa.


Os restos mortais de Benigna Cardoso da Silva foram sepultados na Igreja Matriz de Santana do Cariri no mês de maio do ano passado. Milhares de pessoas participaram do ato. Muitas delas já louvam a menina santa fotos: Elizângela Santos

No próximo dia 16 de março, segundo o postulante da causa de Benigna, o monsenhor italiano, Vitaliano Matiolli, deverá ser iniciada a abertura oficial do processo, numa cerimônia simples, no Crato, para análise de todos os procedimentos, inclusive jurídicos. O encaminhamento dos documentos deve acontecer até o mês de dezembro deste ano, para o Vaticano. Possivelmente, até o Natal, conforme o monsenhor. Ele é responsável pela tradução do processo para o latim, designado pelo bispo diocesano do Crato, dom Fernando Panico.

De acordo com o postulante, monsenhor Matiolli, os documentos devem estar perfeitos, em todos os aspectos exigidos pela Congregação dos Santos. Foram apenas oito meses para a resposta, após o encaminhamento da primeira parte da documentação do pedido de abertura do processo. A Diocese iniciou as pesquisas em 2011, 70 anos depois da morte da mártir.

A primeira parte da documentação foi enviada, então, para análise. Até outubro, mês da Romaria de Benigna, em Santana do Cariri, a expectativa é que a maior parte dos levantamentos históricos e testemunhais esteja finalizada. Vários aspectos são analisados nos processos, desde questões econômicas, sociais, culturais, históricas e propriamente religiosas, que envolvem os fatos relacionados ao primeiro caso de processo de beatificação no Estado.

São 13 depoimentos de contemporâneos da menina Benigna. Para preencher os critérios exigidos, faltam apenas três deles, que deverão acontecer nos próximos dias. São 42 perguntas a serem respondidas. Isso quer dizer que a Diocese, com uma comissão diocesana pela causa de Benigna, trabalhou bem. São cerca de 100 depoimentos com testemunhas de graças alcançadas e milagres. E no pequeno povoado de Inhumas, de pouco mais de 500 pessoas, os moradores não se cansam de expressar a alegria e continuar rezando pela causa de Benigna o seu reconhecimento oficial.

O monsenhor destaca a rapidez da resposta para a abertura dos processos, o que normalmente, segundo ele, pode demorar até três anos. E são dezenas de pedidos no Brasil, segundo o chanceler da cúria diocesana e integrante da comissão, Armando Rafael. Para monsenhor Matiolli, a esperança é que a análise do processo seja breve. Ele afirma que será feito um trabalho com carinho e responsabilidade.

Quanto à mudança do papa Bento XVI, nem o monsenhor ou mesmo o pároco da matriz de Nossa Senhora Santana, Paulo Lemos, acreditam que haverá mudanças que possam atrasar ou impedir o processo, até porque não deverá ter alterações na Congregação dos Santos.

Os fogos de artifícios ecoam pela cidade, desde o último dia 6 de fevereiro, quando foi feito o anúncio pela Diocese. Agora, segundo o pároco local, é importante que a população compreenda o que está acontecendo. "Muitas pessoas ainda não estão entendendo e a Igreja cumpre o papel de levar essas informações", diz ele.

O historiador Ypsilon Félix faz parte da comissão diocesana. Tem a responsabilidade de um dos capítulos do processo, relacionado à "Fama de Santidade de Benigna". Tem reunido todos os documentos, depoimentos e divulgações relacionados à propagação do milagre. E esses fatos não param de ocorrer. Um santuário foi construído pelos próprios moradores, na entrada do distrito, próximo do local onde a menina foi assassinada, no Sítio Oitis. "Agora vamos iniciar a preparação de um filme contando a vida de Benigna. Todas as informações sobre os fatos estão sendo levantadas, para dar segmento do projeto", ressalta.

Para o padre, o sinal verde nada impede que o processo de beatificação da "Heroína da Castidade" seja iniciado. O sacerdote traz a experiência das grandes romarias de Juazeiro, como administrador da Basílica de Nossa Senhora das Dores por vários anos. Ano passado, mais de 10 mil pessoas estiveram na cidade para participar da romaria pelos 71 anos de morte da "Serva de Deus", pelo reconhecimento do Vaticano. No período em que houve o sepultamento dos restos mortais, na igreja matriz, mais outra leva de milhares de pessoas. Na pequena Inhumas as pessoas apontam a escola onde a menina estudou, falam das pedras negras, com as marcas do sangue de Benigna. O místico envolve a comunidade de senhores e senhoras.

Celebração

72 anos de morte de Benigna serão lembrados no dia 24 de outubro deste ano, durante celebração. Neste período acontece a maior romaria do ano em seu louvor

ELIZÂNGELA SANTOS
REPÓRTER

Devotas recordam infância da menina

Santana do Cariri. Nesta cidade, ainda pode-se ouvir depoimentos de pessoas que conviveram com Benigna Cardoso e até mesmo de irmãs adotivas, como Terezinha Alencar. As recordações de infância são vagas. Ela tinha cinco anos, quando perdeu a irmã. Fica emocionada ao falar das últimas notícias sobre o andamento do processo e da aceitação pela Igreja da menina como uma "Serva de Deus". Simples, de vestimentas comuns para uma adolescente pobre da época. Órfã de pai e mãe, vivia em uma pequena propriedade rural. Estudou na escola da própria comunidade, local onde atualmente mora uma família.


Dona Maria Fernandes chegou a conhecer Benigna. Tinham a mesma idade. Não imaginava que ela fosse um dia chegar a ter esse reconhecimento da Igreja Católica, mas sempre a considerou uma pessoa pura

Aos 84 anos, dona Maria Fernandes da Silva lembra dos momentos em que Benigna chegava na escola. Descreve que a menina de vestido estampado, com mangas, e um colete. Era tímida, muito calada. O seu sogro, Pedro Cirineu, chegou a ajudá-la por várias vezes.

O crime, naquele período, deixou todo mundo apavorado. Ninguém jamais imaginaria que um rapaz, na mesma idade de Benigna, convivendo com todos os moradores de Inhumas, fosse capaz de tamanha barbaridade. Por alguns dias, conta dona Maria Fernandes, que a polícia percorreu a comunidade e até o irmão da mártir chegou a ser preso, acusado do assassinato, como outras pessoas. Até que um dia, por uma brincadeira de um vizinho, Raul, que na verdade chamava-se Raimundo, acabou sendo preso. Ele se assustou ao ser surpreendido pelo amigo de que a polícia estava à sua procura. Saiu correndo e veio em seguida a desconfiança.

O facão usado no crime apareceu. "Era enorme", conta Maria Fernandes. Ele foi levado, inicialmente, para um abrigo de crianças e adolescentes, em Fortaleza, e chegou a cumprir a pena. Não se sabe por quantos anos, segundo o historiador Ypsilon Felix, já que o processo ainda não foi encontrado, para ser anexado à documentação.

Era uma menina que tinha hábitos religiosos para a época muito evidenciados. Maria Fernandes afirma que ela chegou a fazer a primeira comunhão sozinha, por ter conseguido aprender antes de todos as orações, na capela de São Vicente, na comunidade. Não existe uma foto sequer da menina, apenas um retrato falado, que segundo a contemporânea da mártir nada parece com a criança que ela conheceu. Tinha traços mais fortes. "Aquele desenho não tem comparação. Era um rosto pequeno, cabelo curto e nariz achatado".

Promessas

Do momento trágico em diante, as pessoas começaram a visitar o local onde a menina foi morta. Faziam promessas e alcançavam graças. A fama da mártir e milagreira foi se espalhando pelos povoados da Chapada do Araripe. Agora, chegou a Roma. Para a devota de Benigna, Antônia Gonçalves da Silva, que há 50 anos passou a residir em Inhumas, é muito importante ter uma santa no lugar onde mora. "A minha esperança é ver ela um dia santificada", admite.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Vaticano aprova a abertura do processo de beatificação da mártir Benigna!!!

A Serva de Deus Benigna Cardoso da Silva
    
O bispo de Crato, Dom Fernando Panico, recebeu no último dia 31 de janeiro correspondência do cardeal Ângelo Amato, Presidente da Congregação para a Causa dos Santos, comunicando a concessão do “Nihil Obstat”, ou seja, o “Nada Impede” para a abertura do Processo de Beatificação da menina Benigna Cardoso da Silva, assassinada em 1941 – em Santana do Cariri – por defender a sua castidade. Isso significa que a partir de agora a Diocese de Crato pode iniciar oficialmente o Processo de Beatificação daquela jovem.
A Diocese de Crato iniciou em 2011, setenta anos após a morte de Benigna, as pesquisas para abertura do processo de beatificação da menina, que é venerada como uma santa pela população de Santana do Cariri e cidades vizinhas. É a primeira vez que a quase centenária Diocese de Crato abre um processo de beatificação, o que exige, dentre outros requisitos, um postulador para a causa. Este atua como uma espécie de advogado e investiga a vida do candidato para verificar seu testemunho de santidade. Quem vem coordenando o processo de beatificação de Benigna Cardoso da Silva é monsenhor Vitaliano Mattioli, um sacerdote da Diocese de Roma que reside na cidade de Crato.
Os próximos passos do processo
Após o Nihil Obstat, ora concedido pelo Vaticano, Benigna Cardoso da Silva já pode receber o título de Serva de Deus. Inicia-se agora a primeira etapa do Processo de Beatificação, ou seja, quando o postulador deve investigar minuciosamente a vida do Servo de Deus. Em se tratando de um mártir – como é o caso de Benigna – devem ser estudadas as circunstâncias que envolveram sua morte para comprovar se houve realmente o martírio. Ao terminar este processo, a pessoa é considerada Venerável.
Quem foi Benigna Cardoso da Silva
Nascida em 1928, em Santana do Cariri e lá assassinada – no dia 24 de outubro de 1941 – Benigna viveu apenas 13 anos e 9 dias e findou sua existência terrena, ferida mortalmente, vítima de uma tentativa de violência sexual, à qual resistiu bravamente, para preservar sua virgindade. Foi uma vida breve, permeada pela amizade com Jesus, vivida em meio à pobreza, orfandade, trabalhos domésticos, gestos simples e solidários. Uma verdadeira santidade leiga, na qual realizou fielmente o projeto e a Palavra do Deus Pai.
Na simplicidade da existência de Benigna, Deus a preparava para sua santificação, com os eventos simples do meio onde vivia. E assim a chamou, talvez para servir como exemplo de uma mocinha pura e sem maldade. Como se quisesse fazer dela um modelo para as gerações futuras, as quais, em grande parte – nos dias atuais – estão imersas no indiferentismo religioso, no hedonismo, na imoralidade, na impudicícia, nas drogas e em tantos outros males presentes na sociedade hodierna.
(Fonte: Diocese de Crato)

Vaticano aprova a abertura do processo de beatificação da mártir Benigna!!!


A mártir, agora, pode ser chamada de serva de Deus; documentos e testemunhos sobre ela serão coletados

Juazeiro do Norte. O pedido de abertura do processo de beatificação da menina Benigna Cardoso da Silva, assassinada barbaramente aos 13 anos em 1941, na cidade de Santana do Cariri, foi aceito pelo Vaticano. O anúncio da correspondência, encaminhado à Diocese do Crato, foi feito ontem, pelo bispo diocesano dom Fernando Panico. No decreto da Santa Sé, escrito em latim, se afirma que nada impede a abertura do processo. Agora, segundo o bispo, ela já pode ser invocada como Serva de Deus e poderá ser a primeira santa cearense.

Imagem de Benigna produzida a partir de retrato da época. Ela foi assassinada aos 13 anos, com golpes de facão, ao defender sua castidade Foto: Elizângela Santos


Nos últimos anos, tem aumentado a quantidade de fiéis nas romarias a Santana do Cariri, cidade natal da menina Benigna. Os restos mortais da mártir foram transferidos do cemitério para a matriz de Nossa Senhora Santana, em maio do ano passado. No dia 24 de outubro, data do assassinato, a cidade de Santana vivenciou a sua maior romaria, com mais de 20 mil pessoas.

As graças alcançadas, segundo Sandro Cidrão, integrante da comissão que tem realizado os levantamentos sobre a vida de Benigna, se multiplicam. São pessoas de vários estados que chegam a Santana e pagam promessas. Cerca de dez depoimentos de contemporâneos da mártir e mais de 100 testemunhos de graças já foram registrados.

O chanceler da cúria diocesana, professor Armando Rafael, que vem acompanhando o processo, afirma que o que mais surpreendeu no anúncio foi a rapidez da resposta do Vaticano. Segundo ele, atualmente, são centenas de pedidos em todo o Brasil. "Isso significa que, a partir de agora, a Diocese do Crato pode iniciar oficialmente o processo de beatificação da jovem", diz.

A Diocese iniciou as pesquisas para abertura do processo de beatificação em 2011, 70 anos depois da morte da mártir. A primeira parte da documentação foi enviada para análise. Até outubro, a expectativa é que a maior parte do levantamento seja encaminhada.

O levantamento será encaminhado, mediante orientação da Santa Sé, ao postulante da causa. Até o momento, está à frente desse trabalho, sob determinação da Diocese, o monsenhor italiano, Vitaliano Mattioli, designado por dom Fernando Panico.

O processo, segundo o bispo, consiste em coletar documentos e testemunhos de pessoas que conheceram e conviveram com a jovem. "Temos a oportunidade de colher depoimentos de pessoas vivas, o que já foi iniciado", ressalta.

O pároco da matriz do município, padre Paulo Lemos, afirma que um dos requisitos que apressou a aceitação do pedido, foi a condição de martírio vivida. A menina Benigna foi morta a golpes de facão por Raul Alves Ribeiro, um jovem da mesma idade que sentiu por ela uma paixão obsessiva e tentou violentá-la.

Trâmites

Para o processo de beatificação ser concluído, um milagre de Benigna deverá ser comprovado. Então, ela passará a ser chamada de beata ou bem-aventurada.

Depois disso, começará o processo de canonização - que pode levar décadas - no qual haverá um estudo aprofundado sobre sua vida e outro milagre deverá ser comprovado.

ELIZÂNGELA SANTOSREPÓRTER
Fonte: Diário do Nordeste

Vaticano aprova beatificação de santa popular no Cariri!

 Assistam no Link da TV Verdes Mares:

http://globotv.globo.com/tv-verdes-mares/bom-dia-ceara/v/vaticano-aprova-beatificacao-de-santa-popular-no-cariri/2391687/

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Vaticano diz sim à abertura do processo de beatificação da menina Benigna!!!



Vaticano diz sim à abertura do processo de beatificação da menina Benigna




 O bispo da Diocese do Crato, Dom Fernando Panico, concede entrevista coletiva hoje à tarde, às 15 horas, no Centro de Expansão do Crato, para falar sobre a abertura do processo de beatificação da menina Benigna Cardoso da Silva.

     A informação foi confirmada pelo Vaticano e será anunciada por Dom Fernando. Agora, Benigna passa a ser tratada como Serva de Deus. Ela foi assassinada por um jovem aos 13 anos, em Santana do Cariri. O crime aconteceu há 71 anos.

     Nos documentos enviados para Roma foram incluídos relatos de todos os casos de curas por intercessão da menina Benigna e o histórico de vida.

Fonte: Diário do Nordeste