sexta-feira, 25 de maio de 2012

Benigna de Santana do Cariri pode ser beatificada pelo Vaticano!

capelabenigna

por: Raphael Barros

      Os restos mortais de Benigna Cardoso da Silva estão com a diocese do Crato e serão levados à Igreja Matriz de Santana do Cariri no dia 26 de maio, quando haverá uma procissão em prol da beatificação da menina. Benigna foi assassinada de forma bárbara aos 13 anos, no sítio Oiti, próximo ao povoado de Inhumas, em Santana do Cariri, no dia 24 de outubro de 1941. Morreu em defesa da virgindade e se tornou a heroína da castidade; preferiu morrer para não pecar, e não apenas para escapar do agressor Raul Alves Ribeiro (jovem de 16 anos que teve um acesso de loucura e cometeu o crime).

      Desde então, pessoas vêm ao local do martírio e fazem rogativas à alma da menina e alcançam graças. Ela estava sepultada no cemitério São Miguel, em Santana do Cariri, no jazigo da família que a criou. Ela foi adotada, porque ficou órfã muito nova de pai e mãe. O responsável por fazer contato com o Vaticano para pedir a beatificação de Benigna, o padre italiano Vitaliano Mattioli, achou que os restos mortais dela deveriam estar em um local mais digno para a veneração dos fiéis. A Igreja Matriz foi o local escolhido.

      Um dos coordenadores do movimento pró-beatificação, Raimundo Sandro Cidrão, esclarece que a ur-na mortuária sairá da diocese e, quando chegar em Santana, haverá um momento devocional antes de levá-la à Matriz, onde será guardada. Uma missa concelebrada por vários padres irá encerrar o evento, sendo o bispo do Crato, Dom Fernando Panico, o presidente da celebração.

      Dom Fernando acenou positivamente para a questão da beatificação desde 2010, quando celebrou, em Santana, uma missa em homenagem à Benigna. Foi aberta a perspectiva de juntar toda a documentação: a comprovação de que ela existiu, foi martirizada e os relatos de graças. Todos os documentos foram entregues ao bispo, que repassou para o padre Mattioli, que irá encaminhar ao Vaticano em junho deste ano.

O assassino
     
Raul Alves Ribeiro tinha problemas mentais. Foi preso e depois levado a Maracanaú, Região Metropolitana de Fortaleza, para uma casa de recuperação para menores infratores. Um irmão de Benigna queria vingá-la, mas sempre que ficava cara-a-cara com o assassino escutava uma voz dizendo para não matá-lo. Assim, a raiva passou e Raul sobreviveu.
Visitou Santana do Cariri antes de morrer. Veio, foi ao túmulo, confessou que havia mudado de vida, casado, tido filhos: arrependeu-se. Raul relatou para algumas pessoas que foram com ele ao cemitério que, sempre que tinha alguma dificuldade, recorria em oração à Benigna e alcançava graças.

Milagres
      A fama de santidade da menina existe há 70 anos. Se a Igreja reconhecê-la como mártir, só vai ser preciso comprovar um único milagre para quando do processo de canonização. Não vai ser tarefa difícil. Todos os anos, no dia 24 de outubro, data da morte de Benigna, romeiros enchem Santana do Cariri em agradecimento às graças alcançadas.

A mãe de Raimundo Sandro Cidrão, antes de morrer, contou ao filho que quando ele tinha quatro anos, os médicos o desenganaram. Ela recorreu à Benigna e conseguiu curá-lo. Outro caso é o de Francisco Agostinho Pereira, 77, que pensou que precisaria amputar a perna. “Sou devoto de Benigna. Eu sou diabético e estava com uma dor na perna. Pensei que ia ser preciso cortá-la. Rezei e no outro dia estava bom. Não sentia mais nada, graças a Deus e à Benigna”.

Curiosidade
      Não existe uma única foto de Benigna, apenas um desenho feito por Raimundo Sandro Cidrão a partir de relatos de irmãs de criação e de pessoas contemporâneas à menina. “As pessoas que viram e conheceram Benigna dizem que o desenho é muito parecido. Mas eu não sei se está parecido ou não, porque eu não a conheci”, conclui.

 

Fonte: Jornal do Cariri

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